sexta-feira, 24 de julho de 2015
MUDAR
No dia a dia não notamos muita coisa. Não notamos nem a nossa própria mudança. Mas o universo está agindo ininterruptamente sobre nós. E, apesar disso ser grande – sim, é um fato grandioso – não somos capazes de perceber sua ação. Provavelmente muitos morrem sem nunca ter percebido ou sentido ou até mesmo pensado sobre. Então ocorre um evento relevante e, como que numa queda brusca, percebemos que algo mudou. Pode ser a morte, a velhice, uma grande vitória, uma separação, uma paixão... Tudo isso acontece gradativamente, mas por ser intangível, o cálculo que fazemos entre horas, dias, meses e anos é diferente. Tudo e nada se tornam relativo.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Inexistir
Inexistir
Faz parte do existir
Primeiro existo
Perpasso pelo tempo
Sobrevivo através do tempo
Desbotando
Vou apagando
Deixando de ser
O que um dia havia sido
E no outro ninguém mais sabe
Eu deixo de existir.
Faz parte do existir
Primeiro existo
Perpasso pelo tempo
Sobrevivo através do tempo
Desbotando
Vou apagando
Deixando de ser
O que um dia havia sido
E no outro ninguém mais sabe
Eu deixo de existir.
terça-feira, 26 de maio de 2015
E nada mudou...
No mês de maio me peguei escrevendo
poesias. Não posso negar que essa inspiração partiu das fãs de um menino
chamado Rafael Vitti, ator protagonista da atual temporada de Malhação,
denominada Malhação Sonhos. (Sim, eu aos meus vinte e cinco anos voltei a assistir
malhação, mas, entretanto, não vim aqui para falar sobre isso ¬¬).
Ele escreve poesias e muitas fãs se
inspiraram escrevendo poesias para ele e para a vida também. Em meio a uma
geração meio confusa – ao meu ver é claro –, em que os jovens descobrem tudo
muito cedo, fazem tudo muito cedo, se cansam de tudo muito cedo, enfim, achei
que o Rafael exerce uma influência muito boa. Ele trouxe à tona uma atmosfera
que muitos não conheciam, que muitos não tinham experimentado e talvez que nem
se sentissem capazes de exercê-la/experimentá-la.
Vendo todo esse cenário, toda essa
capacidade sendo descoberta, me bateu uma vontade de escrever também. Hoje já
tenho um caderninho de poesias (que realmente não sei até que página será preenchida),
que por coincidência comprei no final do ano passado sem motivo algum além do
fato de achá-lo fofinho. Ele se via em páginas em branco, até que eu o vi útil.
Os versos iam surgindo na minha cabeça e depois se perdiam, da mesma forma como
antes em que contos e crônicas vinham à minha cabeça e eu nunca os escrevi –
acho que já comentei algo sobre isso aqui.
Decidi mudar de atitude, comecei a prender
meus versos ou até mesmo a criá-los. Se surgia um, forçava a mim mesma a pensar
em mais. Então passava-os para o celular e depois passei todos a limpo no
caderninho fofo, na tentativa de “eternizá-los”.
Essa história toda é para lembrar que um
dia eu escrevi. Na oitava série, por aí, o fundo do meu caderno era cheio de
poemas melancólicos. Eu tinha vergonha deles. Na verdade, morria de medo que
alguém lesse (acho que minha mãe leu uma vez), mas eram meus, representava algo
dentro de mim, então resolvi guardá-los por um tempo. Eu ficava com pena de me
livrar deles, mas anos passaram e um dia decidi fazê-lo. Joguei todos fora! Acho
que eles não me representavam mais (da mesma forma como escrevi alguns aqui
mesmo neste blog e depois os menosprezei)... Então, vendo essa turma
escrevendo, não só me bateu uma vontade de escrever também, como me lembrei que
um dia eu já escrevi. E como se fosse uma espécie de recalque, tentava me
orgulhar que escrevi por mim mesma e não porque algum famoso me inspirou, mas
cadê as provas?
Não posso mais rever aquilo que um dia eu
escrevi e que, talvez, fosse até bom... A gente não deveria ter vergonha da
nossa infância... No entanto sei que a vergonha me rodeia, por isso só tenho
coragem de escrever esses novos versos aqui. É um lugar que eu tenho certeza
que “ninguém” vai ler.
São apenas alguns pensamentos, versos,
versinhos, sem muita pretensão. Vou postar um aqui:
O
abraço
Laço
Braços
atados
Entrelaçados
Conectados
Ser
um
De
dois
União
Revelação
Embaraço!
Esse foi o primeiro. Talvez eu poste
alguns outros mais aqui. Não sei até quando vai essa inspiração. Talvez dure só
o mês de maio... :)
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
LUGARES
Não sei porquê as pessoas perdem tanto tempo escolhendo lugares. É tudo igual. Todos tem o bem e o mal. São as mesmas pessoas, só mudam os rostos.
terça-feira, 9 de julho de 2013
É tudo culpa de Adão e Eva!
Clarice Lispector escreveu que "quem se indaga é incompleto". É a mais pura verdade! Mas alguém não se indaga?
Creio que não. Todos nós somos incompletos na nossa própria plenitude.
Quanto mais questionamentos
surgem, menos respostas encontram-se. E assim vai: perguntas, perguntas e mais perguntas...
Nós temos sede de conhecimento, sede de saber, e quanto mais sabemos mais
queremos saber e menos se sabe. É um ciclo virtuoso. É um ciclo vicioso.
E daí sempre me questiono: o quanto mais seríamos
felizes na ignorância? Melhor dizendo: o quanto menos infelizes seríamos na
ignorância? Nunca se sabe, a (in)felicidade é imensurável. Mas eu tenho uma
leve impressão que essa sensação de infelicidade seria sentida bem menos – quase
não sentida – se nós estivéssemos inseridos no estado puro da ignorância.
Quanto mais sabemos, mais
conscientes ficamos e tudo faz menos sentido. A guerra, o dinheiro, a
(in)dependência, os relacionamentos, o trabalho, a ciência, a religião, a vida,
a morte, enfim, o emaranhado de coisas que se torna, cerca e forma nós mesmos.
A consciência do estado de existir, viver e de ser vai gradativamente perdendo
sentido.
Já, quanto menos se sabe, menos
nos perguntamos, menos sofremos, menos contradizemos, menos brigamos, menos
cobramos, menos nos importamos, pois, acima de tudo, menos entendemos e, assim,
menos sentimos e menos o tudo ou o nada influenciam sobre nós. Falam que isso
pode não ser bom, mas afinal de contas, pode ser ruim? Outro questionamento...
Também, o que eu quero dizer é
que cada vez mais estamos perdendo a pureza da coisa. A malícia vem ganhando
espaço. Para mim, é um sentimento tão bom, tão grandioso e verdadeiro ver a
pureza, a ingenuidade, a simplicidade e até mesmo a curiosidade de uma criança.
É gratificante! É o ser humano no seu estado genuíno – é a certeza de que o ser
humano é surpreendente. Mas, à medida que ela vai crescendo, vai se
conscientizando e aprendendo, ela vai perdendo essa coisa especial. Ela se
torna comum, banal. Se torna nós e cada vez mais rápido, mais acelerado...
Diz a lenda que depois que Adão e
Eva comeram do “fruto da árvore da sabedoria”, o bem e o mal vieram a
tona.
Então, hoje, não é escolha. É
questão de ser. É intrínseco ao ser humano. Aí isto fica na minha cabeça: É tudo culpa de Adão e Eva! É tudo culpa de
Adão e Eva! É tudo culpa de Adão e Eva!
Mas o que tudo isso importa,
afinal de contas? A NÃO infelicidade não é sinônimo da felicidade. Percebi isso
agora mesmo, neste momento, no ato da escrita.
sábado, 26 de janeiro de 2013
VIVER NÃO DÓI
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade
Existe uma linha tênue que separa os sonhos de ilusões?
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade
Existe uma linha tênue que separa os sonhos de ilusões?
O diário de Anne Frank
Como posso me sentir triste enquanto isto existir, pensei, esta luz e este céu sem nuvens, e enquanto eu puder desfrutar dessas coisas.
O melhor remédio para os amedrontados, solitários ou infelizes é sair, ir a um local em que possam ficar a sós, com o céu, a natureza e Deus. Só então você pode sentir que tudo é como deveria ser, e que Deus deseja a felicidade das pessoas em meio à beleza e à simplicidade da natureza.
O melhor remédio para os amedrontados, solitários ou infelizes é sair, ir a um local em que possam ficar a sós, com o céu, a natureza e Deus. Só então você pode sentir que tudo é como deveria ser, e que Deus deseja a felicidade das pessoas em meio à beleza e à simplicidade da natureza.
Enquanto isso existir - e deve existir para sempre - sei, que haverá consolo para toda tristeza, em qualquer circunstância. Acredito firmemente que a natureza pode trazer conforto a todos que sofrem.
Ah, quem sabe, talvez não demore muito antes que eu possa compartilhar esse sentimento de felicidade avassaladora com alguém que sinta o mesmo que eu.
Anne Frank
Me sinto assim :)
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