Clarice Lispector escreveu que "quem se indaga é incompleto". É a mais pura verdade! Mas alguém não se indaga?
Creio que não. Todos nós somos incompletos na nossa própria plenitude.
Quanto mais questionamentos
surgem, menos respostas encontram-se. E assim vai: perguntas, perguntas e mais perguntas...
Nós temos sede de conhecimento, sede de saber, e quanto mais sabemos mais
queremos saber e menos se sabe. É um ciclo virtuoso. É um ciclo vicioso.
E daí sempre me questiono: o quanto mais seríamos
felizes na ignorância? Melhor dizendo: o quanto menos infelizes seríamos na
ignorância? Nunca se sabe, a (in)felicidade é imensurável. Mas eu tenho uma
leve impressão que essa sensação de infelicidade seria sentida bem menos – quase
não sentida – se nós estivéssemos inseridos no estado puro da ignorância.
Quanto mais sabemos, mais
conscientes ficamos e tudo faz menos sentido. A guerra, o dinheiro, a
(in)dependência, os relacionamentos, o trabalho, a ciência, a religião, a vida,
a morte, enfim, o emaranhado de coisas que se torna, cerca e forma nós mesmos.
A consciência do estado de existir, viver e de ser vai gradativamente perdendo
sentido.
Já, quanto menos se sabe, menos
nos perguntamos, menos sofremos, menos contradizemos, menos brigamos, menos
cobramos, menos nos importamos, pois, acima de tudo, menos entendemos e, assim,
menos sentimos e menos o tudo ou o nada influenciam sobre nós. Falam que isso
pode não ser bom, mas afinal de contas, pode ser ruim? Outro questionamento...
Também, o que eu quero dizer é
que cada vez mais estamos perdendo a pureza da coisa. A malícia vem ganhando
espaço. Para mim, é um sentimento tão bom, tão grandioso e verdadeiro ver a
pureza, a ingenuidade, a simplicidade e até mesmo a curiosidade de uma criança.
É gratificante! É o ser humano no seu estado genuíno – é a certeza de que o ser
humano é surpreendente. Mas, à medida que ela vai crescendo, vai se
conscientizando e aprendendo, ela vai perdendo essa coisa especial. Ela se
torna comum, banal. Se torna nós e cada vez mais rápido, mais acelerado...
Diz a lenda que depois que Adão e
Eva comeram do “fruto da árvore da sabedoria”, o bem e o mal vieram a
tona.
Então, hoje, não é escolha. É
questão de ser. É intrínseco ao ser humano. Aí isto fica na minha cabeça: É tudo culpa de Adão e Eva! É tudo culpa de
Adão e Eva! É tudo culpa de Adão e Eva!
Mas o que tudo isso importa,
afinal de contas? A NÃO infelicidade não é sinônimo da felicidade. Percebi isso
agora mesmo, neste momento, no ato da escrita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário