terça-feira, 9 de julho de 2013

É tudo culpa de Adão e Eva!

Clarice Lispector escreveu que "quem se indaga é incompleto". É a mais pura verdade! Mas alguém não se indaga? Creio que não. Todos nós somos incompletos na nossa própria plenitude.
Quanto mais questionamentos surgem, menos respostas encontram-se. E assim vai: perguntas, perguntas e mais perguntas... Nós temos sede de conhecimento, sede de saber, e quanto mais sabemos mais queremos saber e menos se sabe. É um ciclo virtuoso. É um ciclo vicioso.
E daí sempre me questiono: o quanto mais seríamos felizes na ignorância? Melhor dizendo: o quanto menos infelizes seríamos na ignorância? Nunca se sabe, a (in)felicidade é imensurável. Mas eu tenho uma leve impressão que essa sensação de infelicidade seria sentida bem menos – quase não sentida – se nós estivéssemos inseridos no estado puro da ignorância.
Quanto mais sabemos, mais conscientes ficamos e tudo faz menos sentido. A guerra, o dinheiro, a (in)dependência, os relacionamentos, o trabalho, a ciência, a religião, a vida, a morte, enfim, o emaranhado de coisas que se torna, cerca e forma nós mesmos. A consciência do estado de existir, viver e de ser vai gradativamente perdendo sentido.
Já, quanto menos se sabe, menos nos perguntamos, menos sofremos, menos contradizemos, menos brigamos, menos cobramos, menos nos importamos, pois, acima de tudo, menos entendemos e, assim, menos sentimos e menos o tudo ou o nada influenciam sobre nós. Falam que isso pode não ser bom, mas afinal de contas, pode ser ruim?  Outro questionamento...
Também, o que eu quero dizer é que cada vez mais estamos perdendo a pureza da coisa. A malícia vem ganhando espaço. Para mim, é um sentimento tão bom, tão grandioso e verdadeiro ver a pureza, a ingenuidade, a simplicidade e até mesmo a curiosidade de uma criança. É gratificante! É o ser humano no seu estado genuíno – é a certeza de que o ser humano é surpreendente. Mas, à medida que ela vai crescendo, vai se conscientizando e aprendendo, ela vai perdendo essa coisa especial. Ela se torna comum, banal. Se torna nós e cada vez mais rápido, mais acelerado...
Diz a lenda que depois que Adão e Eva comeram do “fruto da árvore da sabedoria”, o bem e o mal vieram a tona.
Então, hoje, não é escolha. É questão de ser. É intrínseco ao ser humano. Aí isto fica na minha cabeça: É tudo culpa de Adão e Eva! É tudo culpa de Adão e Eva! É tudo culpa de Adão e Eva! 

Mas o que tudo isso importa, afinal de contas? A NÃO infelicidade não é sinônimo da felicidade. Percebi isso agora mesmo, neste momento, no ato da escrita.

sábado, 26 de janeiro de 2013

VIVER NÃO DÓI

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.


Carlos Drummond de Andrade

Existe uma linha tênue que separa os sonhos de ilusões?

O diário de Anne Frank

Como posso me sentir triste enquanto isto existir, pensei, esta luz e este céu sem nuvens, e enquanto eu puder desfrutar dessas coisas.
O melhor remédio para os amedrontados, solitários ou infelizes é sair, ir a um local em que possam ficar a sós, com o céu, a natureza e Deus. Só então você pode sentir que tudo é como deveria ser, e que Deus deseja a felicidade das pessoas em meio à beleza e à simplicidade da natureza.
Enquanto isso existir - e deve existir para sempre - sei, que haverá consolo para toda tristeza, em qualquer circunstância. Acredito firmemente que a natureza pode trazer conforto a todos que sofrem.
Ah, quem sabe, talvez não demore muito antes que eu possa compartilhar esse sentimento de felicidade avassaladora com alguém que sinta o mesmo que eu.
 
Anne Frank
 
Me sinto assim :)

domingo, 21 de outubro de 2012

Lembrar de esquecer

Preciso lembrar de esquecer o quão cruel é estar nesse mundo.
 
 

Gente

Raul Seixas

Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber

É que gente
Gente nasceu pra querer
Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender

É que gente
Gente nasceu pra querer
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar... ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar...oh!
Gente é tão louca

E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão

E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer, ok, gente, gente
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar... ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar...oh!
Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer
É que gente
Gente nasceu pra querer...

domingo, 7 de outubro de 2012

Vergonha

Estava lendo o que eu escrevi há anos, logo quando fiz esse blog e devo dizer que o mês de abril/2008 me envergonha.
Deveria apagar tudo? Não, fica como registro para mim mesma da minha "transgressão". Mas sinceramente, se me perguntarem o que eu queria dizer com aquilo, certamente não saberei responder. Como trata-se de algo atemporal, alguém que atribua sentido a isso. (POR FAVOR)

Às vezes fico assim pensando

Neste momento estou ouvindo Sampa de Caê, porque simplesmente alguma coisa acontece no meu coração...

sábado, 3 de março de 2012

Acho que foi...

...a necessidade de escrever algo.